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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

2013



Nem acredito que faltam menos de seis meses para o meu aniversário. Finalmente eu terei 16 anos, um pouco mais velha, mais madura. Então serão poucos os filmes que eu não poderei assistir.
Mas o que eu queria mesmo era poder sair com meus amigos. Ir a um show só com a galera, sem a presença dos pais. Eu não quero usar drogas, nem beber álcool, nem roubar ou matar alguém. Se eu não vou fazer nada de errado, não há problema nenhum se algum pai for, mas a presença de um adulto da nossa família sempre tira a privacidade. Você não age normalmente, sempre temendo estar sendo avaliada.
A última coisa que desejo é meu pai do meu lado quando eu estou com meus amigos meninos, abraçando-os e beijando-os carinhosamente – meu pai é ciumento e certamente não gostaria disso. Ou mamãe quando há a possibilidade de alguma piada pesada ser contada. Ou minha tia para depois fofocar exageradamente para toda a família o que aconteceu. Ou meu tio que vive reclamando e pondo defeito em tudo. Ou vovó para criticar todos e tudo ao redor.
         Também queria poder trazer amigos aqui em casa. Sem ter que dar tantas explicações sobre onde moram, quem são, como vivem. Sem precisar ouvir depois avaliações negativas. Ou suportar criticarem coisa que eu também faço, mas não sabem. Trazer amigos aqui só pra fazer barulho, muita bagunça, ouvir música alta, gritar, dançar ou jogar vídeo-game. Coisa de adolescentes que até eu, que sou diferente, adoro.
         Queria passar um dia inteiro no shopping, não me importaria se fosse sozinha ou acompanhada de determinada pessoa. Eu só queria sentar na praça de alimentação, tomar um suco e olhar a movimentação ao redor. Aproveitar o ambiente frio e talvez assistir um filme. Olhar vitrines, namorar livros e comer algo. Mas quem disse que eu posso? Me permitem passar algumas poucas horas no shopping, apenas.
         Também queria poder visitar minhas amigas (algum amigo também, talvez) mais vezes. Ficar sentada no chão do quarto ouvindo música e comendo sorvete. Sinto-me sozinha trancada no meu quarto o dia quase todo, mas não gosto de ficar lá fora com os outros e ficar os ouvindo fofocarem sobre todo mundo e falar mal quando eles próprios têm culpa no cartório. Não que eu nunca faça isso, mas eu evito sempre que percebo o que estou preste a fazer.
                Tenho esperanças, todos os anos, que a chegada de mais um aniversário meu signifique que isso vai mudar pelo menos um pouco. Graças a Deus, muda. Pouco a pouco vai melhorando. E é isso que me faz levantar da cama toda manhã e viver mais um dia: a esperança.

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