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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Numa aula de sonhos compartilhados, eles acabaram de ver as projeções que Arthur fazia de ambos. O momento não poderia ter sido mais constrangedor.Arthur não entendia como era possível que, mesmo estando dentro do sonho, ambos fossem projetados por seu subconsciente. E o que era pior, numa lembrança embaraçosa e sugestiva. Eles chegaram ao telhado do prédio ainda num silêncio desconfortável. Ele foi o primeiro a falar quebrando o gelo do momento.
— Ariadne, eu... – ele deu um passo em sua direção e ela deu um passo atrás recuando.Mas ela estava na borda do telhado e esse passo atrás a fez perder o equilíbrio, não conseguindo se guinar para frente com o apoio do outro pé que ainda estava em solo firme. Ela começou a cair como em câmera lenta. Não estava com medo, sabia que era apenas um sonho, mas Arthur realmente desesperou-se.
Ele correu atrás dela e jogou-se em sua direção. Conseguiu agarrá-la e envolveu sua cintura com uma das mãos, enquanto a outra segurava decididamente seu queixo. Ela pôde sentir a respiração dele muito próxima do seu rosto. E fechou os olhos no mesmo momento em que ele fazia o mesmo. Seu coração batia em expectativa e ela ainda sentiu o toque suave dos lábios dele antes que acordasse.
Levou algum tempo para tomar consciência de onde estava e do que tinha acontecido. Fora um sonho, sim ela sabia. Mas dessa vez o que acontecera não fora mera projeção do seu subconsciente. Quando olhou para a cadeira ao lado, a sua procura, não o viu. O workshop estava silencioso e o menor ruído - com seus ecos - era alto em seus ouvidos. O som dos sapatos dele entrando em contato com o chão, clap, clap, clap, denunciou sua posição. Ela levantou-se e correu atrás dele.
— Arthur... – ela chamou por ele, mas este não respondeu ou parou. Ela teve que correr um pouco mais rápido para alcançá-lo e postar-se em sua frente para que parasse.
— Acho mais sensato que continue suas aulas com Eames – ela abriu a boca para protestar, talvez, mas ele não a deixou falar – Sei que ele é muitíssimo competente para tal. – ele falava duro e evitava encará-la por mais de um segundo.
Ela deu um passo à frente, parando poucos centímetros a sua frente. Sua altura nunca a incomodara até o presente momento, quando ela sentia-se muito pequena diante dele. Ficou na ponta dos pés a fim de aumentar-se alguns centímetros.
— Faz aquilo de novo – ela pediu num sussurro.
Ele não demorou ou hesitou em atender ao seu pedido. Puxou-a para junto dele, até seus corpos estarem colados, acabando com o pouco espaço entre os dois. Como no sonho, ele envolvia a cintura dela com uma mão e com a outra segurava o queixo dela delicadamente em direção ao dele. Aproximou o próprio rosto do dela e devagar, muito devagar, pressionou seus lábios nos delas. Começando com um simples roçar de lábios, o beijo tinha um gosto adocicado de espera. Enquanto o beijo tornava-se mais profundo e apaixonado, ela tinha uma mão pousada suavemente no ombro dele e a outra em sua nuca, sentindo os pêlos finos de seu pescoço. Ele ainda mantinha a mão em volta dela, como que com medo de solta-la e ela fugir dele. A outra mão, ela ainda sentia delicadamente em seu rosto, mas poderia estar apenas imaginando.
O barulho da porta do workshop se abrindo os fez separarem-se, porém um pouco tarde demais. Eames e Yusuf já haviam parado estáticos diante de tal cena.
— Continuem senhores – Eames disse com um sorriso travesso – Caso precisem de mim, estarei na minha mesa. Mas finjam que não estou aqui.
Ele caminhou calmamente até a própria mesa de trabalho como se nada tivesse acontecido. Ariadne olhava para Eames envergonhada enquanto Arthur olhava para Yusuf.
— Eu vou... eu estarei com Eames se precisarem de mim. – e saiu rapidamente até onde Eames trabalhava.
Arthur olhou para Ariadne e ela viu o fantasma de um sorriso em seu rosto antes que ele caminhasse para fora do galpão.
— Arthur... – ela queria dizer algo sobre o que acabara de acontecer, mas não sabia o quê.
Ele virou-se para ela e sorriu. Um sorriso genuinamente bonito. Um sorriso que raras vezes ela vira em seu rosto, talvez até o único, pois havia algo a mais nesse sorriso. Ele indicou a saída com a cabeça e piscou para ela, antes de continuar seu trajeto. Ela ficou parada no mesmo lugar com cara de boba antes de sair atrás dele.

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