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segunda-feira, 26 de março de 2012

Julieta Imortal

A maior história de amor de todos os tempos é uma farsa.

Verona, Itália, 1304

À noite, poderia entrar pela porta — o castelo está silencioso, os empregados adormecidos, e a Ama o deixaria entrar — mas ele escolhe a janela, subindo pelos ramos das flores noturnas carregando as pétala em suas vestes.
Uma pedra se solta e cai ao chão. Ouço seus gemidos ao correr em seu auxílio.
É um romântico, um sonhador, e não tem medo de se entregar. É valente e corajoso, e eu o amo por isso. Desesperadamente. O amor que sinto me deixa sem ar. É como se morresse e renascesse sempre que olho em seus olhos ou passo meus dedos trêmulos por seus cabelos.
Eu o amo quando caminha entre as pedras escorregadias, sua pernas fortes flexionadas debaixo das calças, como se não houvesse motivo para preocupação, como se não estivéssemos infringindo nenhuma regra e não fôssemos castigados ao chegar à única casa que conhecemos. Amo quando procura minhas mãos e as coloca em seu rosto macio, inspirando minha pele com a mais doce pétala presa em seu casaco. Amo quando sussurra meu nome — Julieta —, como uma prece pela entrega, uma promessa de prazer, um voto de que toda essa doçura será eterna.
Para todo o sempre.
Apesar de nossos pais, e de nosso príncipe, e do sangue derramado em praça publica. Apesar de termos pouco dinheiro e raros amigos e de nossos futuros supostamente brilhantes tornarem-se escuros e nebulosos.
— Diga-me que o amanhã não chegará.
[...]

Cidade de Solvang, California, dias atuais.

Morrer é fácil. Voltar é muito mais doloroso.
— Oh... — coloco as mãos na testa e percebo um líquido viscoso que escorre de um corte acima da sobrancelha.
Havia muito sangue dessa vez. O sangue me minhas mãos manchava o painel, pingava em minha calça jeans e deixava manchas escuras que podia ver através da luz da lua que iluminava o teto solar do carro. Era feio, assustador, mas, surpreendentemente, o acidente não a matou. Matou a mim.
Eu, agora. Ela, às vezes, dependendo de quanto tempo levo para garantir a segurança do casal de alma gêmeas que devo proteger. Ou de quanto tempo Romeu leva para convencer uma pessoa apaixonada a sacrificar a outra pelo privilégio da vida eterna.
Não deve demorar. Ele é bem-sucedido em tudo o que faz.

Continue lendo o livro “Julieta Imortal”. As surpresas da mais bela história de amor estão apenas começando. Boa leitura.

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